domingo, 4 de maio de 2014

VARA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE DE ITABUNA REALIZA AUDIÊNCIAS CONCENTRADAS.

VARA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE DE ITABUNA REALIZA AUDIÊNCIAS CONCENTRADAS.



            O juiz Marcos Bandeira, titular da Vara da Infância e Juventude de Itabuna realizará amanhã ( dia 05/05/2014) no fórum Ruy Barbosa, a partir das 9hs,  várias audiências concentradas para definir a situação de cada uma das 17 crianças que se encontram acolhidas no SOS Canto da Criança, que fica situado no Bairro Nova Califórnia , em Itabuna. Normalmente, as audiências concentradas são realizadas no SOS Canto da Criança, todavia, como a unidade de acolhimento está passando por uma reforma, as audiências concentradas desta vez  foram transferidas para o Fórum Ruy Barbosa, no centro da cidade. Todas as dezessete crianças que estão acolhidas serão transferidas para a Vara da Infância de Itabuna, no sentido de que o Juiz, o Ministério Público, a Defensoria Pública e equipes interdisciplinares possam analisar a situação individual delas.
            Algumas crianças que estão no SOS Canto da Criança foram abandonadas pelos seus genitores, outras foram vítimas de maus-tratos e agressões praticados por seus próprios pais ou responsáveis. O Juiz Marcos Bandeira deve analisar, em primeiro lugar, a possibilidade de reintegração familiar da criança, e não sendo esta possível, serão empreendidos esforços no sentido de  disponibilizar a criança para a adoção. Também deve participar das audiências concentradas, um Promotor de Justiça, o Defensor Público Estadual, Washington Luiz Andrade, serventuários da Justiça,  equipe técnica da Vara da Infância, conselheiros tutelares, prepostos do CREAS e da Secretaria de Assistência social  e outros atores envolvidos com a causa da criança. O juiz Marcos Bandeira afirmou “ que o importante é que essas audiências propiciam a condição de definir logo a situação da criança, que não pode ficar muito tempo na unidade de acolhimento. A nossa preocupação é que essa criança seja inserida em breve espaço de tempo numa família, seja a família natural, extensiva ou substituta, através da adoção. Agimos sempre buscando preservar o interesse superior da criança”, finalizou.


Fonte: gabinete da Vara da Infância e Juventude de Itabuna.

segunda-feira, 31 de março de 2014

CADASTRO NACIONAL DE ADOÇÃO: OS PASSOS PARA ADOTAR UMA CRIANÇA

Cadastro Nacional de Adoção (CNA)

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O Cadastro Nacional de Adoção é uma ferramenta criada para auxiliar juízes das varas da infância e da juventude na condução dos procedimentos de adoção.

Lançado em 29 de abril de 2008, o CNA tem por objetivo agilizar os processos de adoção por meio do mapeamento de informações unificadas. O Cadastro possibilita ainda a implantação de políticas públicas na área.

Para entender como funciona o Cadastro, acesse o Manual do Usuário.
O processo de adoção no Brasil leva, em média, um ano. No entanto, pode durar bem mais se o perfil apresentado pelo adotante para a criança for muito diferente do disponível no cadastro.
No Cadastro Nacional de Adoção (CNA), segundo dados de outubro de 2013, das 5,4 mil crianças e jovens para adoção, 4,3 mil (80%) estão na faixa etária acima de 9 anos. No banco de crianças disponíveis para adoção do DF, crianças com menos de 12 anos são minoria. Ainda assim, só no ano passado, a Justiça do DF autorizou 167 adoções. Em 2010, foram 195. A realidade não é diferente nacionalmente.
Para conquistar o filho tão aguardado, veja o passo a passo da adoção.
1) Eu quero – Você decidiu adotar. Então, procure a Vara de Infância e Juventude do seu município e saiba quais documentos deve começar a juntar. A idade mínima para se habilitar à adoção é 18 anos, independentemente do estado civil, desde que seja respeitada a diferença de 16 anos entre quem deseja adotar e a criança a ser acolhida. Os documentos que você deve providenciar: identidade; CPF; certidão de casamento ou nascimento; comprovante de residência; comprovante de rendimentos ou declaração equivalente; atestado ou declaração médica de sanidade física e mental; certidões cível e criminal.
2) Dê entrada! – Será preciso fazer uma petição – preparada por um defensor público ou advogado particular – para dar início ao processo de inscrição para adoção (no cartório da Vara de Infância). Só depois de aprovado, seu nome será habilitado a constar dos cadastros local e nacional de pretendentes à adoção.
3) Curso e Avaliação – O curso de preparação psicossocial e jurídica para adoção é obrigatório. Na 1ª Vara de Infância do DF, o curso tem duração de 2 meses, com aulas semanais. Após comprovada a participação no curso, o candidato é submetido à avaliação psicossocial com entrevistas e visita domiciliar feitas pela equipe técnica interprofissional. Algumas comarcas avaliam a situação socioeconômica e psicoemocional dos futuros pais adotivos apenas com as entrevistas e visitas. O resultado dessa avaliação será encaminhado ao Ministério Público e ao juiz da Vara de Infância.
4) Você pode – Pessoas solteiras, viúvas ou que vivem em união estável também podem adotar; a adoção por casais homoafetivos ainda não está estabelecida em lei, mas alguns juízes já deram decisões favoráveis.
5) Perfil – Durante a entrevista técnica, o pretendente descreverá o perfil da criança desejada. É possível escolher o sexo, a faixa etária, o estado de saúde, os irmãos etc. Quando a criança tem irmãos, a lei prevê que o grupo não seja separado.
6) Certificado de Habilitação – A partir do laudo da equipe técnica da Vara e do parecer emitido pelo Ministério Público, o juiz dará sua sentença. Com seu pedido acolhido, seu nome será inserido nos cadastros, válidos por dois anos em território nacional.
7) Aprovado – Você está automaticamente na fila de adoção do seu estado e agora aguardará até aparecer uma criança com o perfil compatível com o perfil fixado pelo pretendente durante a entrevista técnica, observada a cronologia da habilitação. Caso seu nome não seja aprovado, busque saber os motivos. Estilo de vida incompatível com criação de uma criança ou razões equivocadas (para aplacar a solidão; para superar a perda de um ente querido; superar crise conjugal etc.) podem inviabilizar uma adoção. Você pode se adequar e começar o processo novamente.
8) Uma criança – A Vara de Infância vai avisá-lo que existe uma criança com o perfil compatível ao indicado por você. O histórico de vida da criança é apresentado ao adotante; se houver interesse, ambos são apresentados. A criança também será entrevistada após o encontro e dirá se quer ou não continuar com o processo. Durante esse estágio de convivência monitorado pela Justiça e pela equipe técnica, é permitido visitar o abrigo onde ela mora; dar pequenos passeios para que vocês se aproximem e se conheçam melhor. Esqueça a ideia de visitar um abrigo e escolher a partir daquelas crianças o seu filho. Essa prática já não é mais utilizada para evitar que as crianças se sintam como objetos em exposição, sem contar que a maioria delas não está disponível para adoção.
9) Conhecer o futuro filho – Se o relacionamento correr bem, a criança é liberada e o pretendente ajuizará a ação de adoção. Ao entrar com o processo, o pretendente receberá a guarda provisória, que terá validade até a conclusão do processo. Nesse momento, a criança passa a morar com a família. A equipe técnica continua fazendo visitas periódicas e apresentará uma avaliação conclusiva.
10) Uma nova Família! – O juiz profere a sentença de adoção e determina a lavratura do novo registro de nascimento, já com o sobrenome da nova família. Você poderá trocar também o primeiro nome da criança. Nesse momento, a criança passa a ter todos os direitos de um filho biológico.
 
FONTE: CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA

 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014


A VIOLÊNCIA E A SAÚDE PÚBLICA




                                                                                 
            A priori, uma análise açodada sobre a temática proposta para o presente artigo poderia levar algum incauto a afirmar o paradoxo ou a contradição em associar violência à saúde pública.Afinal, quando se fala de violência sempre voltamos a nossa atenção aos órgãos encarregados da segurança pública e da justiça, como a polícia, o Ministério Público, o Poder Judiciário e o sistema penitenciário. A saúde pública, por sua vez, nos remete às estruturas hospitalares, ao SUS, aos programas de vacinação e de combate ao aborto, às doenças sexualmente transmissíveis, etc.      Nas discussões travadas no interior dos conselhos de segurança pública ou nas audiências sobre segurança pública, a tônica do debate é invariavelmente o aumento de efetivo policial, o aumento de armamento e de prisões, a implantação de maior número de postos policiais, dentre outros temas afetos à repressão policial e ao recrudescimento da justiça criminal. Na área de saúde pública também os temas são específicos, como aumento de leitos, melhor estrutura física e humana para os profissionais dos setores e pacientes, de sorte que a violência é lembrada como algo relacionado a outros setores da sociedade. Não se fala em prevenção, interdisciplinaridade, integração,absolutamente. É como se fossem setores ou compartimentos estanques e absolutamente incomunicáveis.
            Ouso afirmar, e o faço com apoio da boa doutrina, que a violência é questão de saúde pública. A relação é direta e afeta a todos nós, individual e coletivamente. Com efeito,para a Organização Mundial de Saúde “a saúde pública constitui medida coletiva do Estado e da Sociedade Civil, visando a proteger e melhorar a saúde dos indivíduos”. Reforçando essa assertiva, Alberto Concha Eastman e Miguel Malo prelecionam que a saúde “é uma prática social de natureza multidisciplinar, capaz de enfatizar que a responsabilidade do setor de saúde não se limita a recuperar indivíduos doentes ou vítimas de traumatismos;pelo contrário, deve buscar o bem-estar da população como condição vital para o desenvolvimento pessoal e coletivo”. Por essas razões os autores entendem que a violência e a insegurança nas ruas são questões de saúde pública, em face do impacto na saúde física e psicológica de suas vítimas, bem como pelos efeitos sociais e econômicos que afetam o próprio desenvolvimento de uma sociedade.
            A violência representada por lesões e óbitos decorrentes de acidentes de trânsito e violência doméstica, bem como os homicídios e lesões corporais dolosas representam quase 2/3 da violência provocada por causas externas. Para se ter uma idéia da gravidade da situação, enquanto no Brasil,  em 2007,  a taxa de homicídios por cada 100 mil pessoas era de 26,8% , na Argentina era de 5,2% . A mortalidade decorrente do trânsito em 2007 no Brasil era de 23,5 por 100 mil pessoas. É grande a morbidade decorrente da violência doméstica, muito embora não ocorram muitas mortes de mulheres. As maiores vítimas são homens jovens, negros e pobres, sendo também, segundo a pesquisa, os maiores agressores. O Índice de Homicídios na Adolescência –IHA – é mais acentuado no Nordeste e nos municípios com mais de 100 mil habitantes, onde 4,28 adolescentes – pessoas entre 12 e 18 anos incompletos – serão vítimas de homicídio, antes de alcançarem 18 anos de idade. E o que é por demais preocupante, devido à proximidade,Itabuna liderou o ranking nacional como a cidade mais violenta no País para adolescentes, nos anos de 2009 e 2010, conforme dados fornecidos pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Bahia e Alagoas figuraram como os Estados mais violentos do Brasil para adolescentes.
            Sem dúvida alguma, esses números se refletem na estrutura organizacional do sistema de saúde, em face da quantidade exacerbada de traumas, lesões e óbitos causados pela violência. Como aferir os custos sociais, econômicos e emocionais decorrentes da alta taxa de criminalidade? O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada anotou que a violência custou ao Brasil em 2004 US$ 30 bilhões. O custo com o setor público seria da ordem de US$ 28 bilhões. O SUS estima ter gastado US$ 39 milhões em 2004. A alta taxa de criminalidade e a sensação de insegurança potencializada pela mídia sensacionalista afeta o cotidiano das pessoas e a própria mobilidade urbana, disseminando o medo e o pânico, atingindo a qualidade de vida das pessoas e, por que não dizer, a saúde das pessoas. A violência e a insegurança, sem dúvida, destroem o capital social e reduz as possibilidades de investimentos naquela comunidade afetada. Quantas políticas públicas de controle e prevenção de doenças deixaram de ser implementadas pelo SUS por falta de recursos? Como fazer para diminuir o número de internações por lesões provocadas por causas externas como acidente de trânsito, violência doméstica e violência interpessoal? Esses questionamentos passaram a ser alvo de discussão e foram incluídos na agenda da Organização Mundial de Saúde, que estabeleceu as oito (8) metas do milênio para prevenir a violência, principalmente aquela praticada contra os grupos mais vulneráveis da sociedade, como mulheres, crianças e jovens. São elas: 1) erradicação da pobreza extrema e da fome; 2) atingir o ensino primário universal;3) promoção da igualdade entre os sexos e a autonomia da mulher; 4) reduzir a mortalidade infantil;5) melhorar a saúde materna;6) combater HIV/AIDS, malária e outras doenças; 7) garantir a sustentabilidade ambiental; e, finalmente, 8) estabelecer uma parceria global para o desenvolvimento humano.
            Desta forma, diagnosticando a violência como fenômeno multifacetário e criando as condições para enfrentá-la, com enfoque preponderante no paradigma da prevenção, no âmbito de uma visão interdisciplinar, mediante a qual, setores da sociedade civil, segurança pública e saúde pública  possam compartilhar os problemas relacionados à violência e a (in)segurança pública, trabalhando numa linha integrativa, onde cada setor possa ter ciência do que acontece com o outro e estabelecer canais de diálogos, certamente, poderemos diminuir a violência provocada por causas externas, reduzindo assim o número de internamentos e contribuindo para o pleno desenvolvimento das pessoas na comunidade. A partir daí, creio, poderemos começar a sonhar com a cultura da paz.

* Juiz titular da Vara da Infância e Juventude de Itabuna e mestrando em Segurança Pública, Justiça e Cidadania pela UFBA.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL E BOM ANO NOVO!



Estamos chegando ao final de mais um ano, e o Natal nos faz lembrar Aquele que é a razão de nossa missão aqui na terra: JESUS CRISTO. Ele nasceu do ventre da Virgem Maria, cresceu entre nós, pregou a boa nova, cumpriu sua missão,  morreu e sobreviveu à morte. O seu grande legado foi o amor: Amar a DEUS sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. A sua grande lição: o ciclo terreno é uma simples passagem de aprendizado e que a vida continua noutro plano ou em outra dimensão....e que colheremos futuramente o que plantarmos aqui. O livre arbítrio é próprio de cada um! que possamos sempre fazermos as escolhas certas!
Que possamos neste final de ano refletirmos sobre nossas vidas: quais as atitudes boas ou ruins que praticamos durante o ano; o que precisamos melhorar para fazer feliz as pessoas que nos são próximas,e o que devo fazer para ser feliz e tornar o mundo melhor, pois nascemos para sermos felizes e nos realizarmos como seres humanos!
Desejo a todos os internautas que acompanharam este blog durante o ano um feliz natal e um novo de muita paz, saúde e prosperidade.

São os votos sinceros de Marcos Bandeira

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

NELSON MANDELA, MORRE O HOMEM E NASCE O MITO.

 
 
Morreu um grande homem - Nelson Mandela - , cujo legado inspirará as futuras gerações para que não cometamos mais os erros do passado. Este homem, com sua dignidade, liderança e humanismo, ensinou ao mundo que somos todos iguais em direitos, oportunidades e que possamos concretizar nossos sonhos, de conformidade com a nossa luta e capacidade, independentemente de etnia, cor, raça ou qualquer outro parâmetro discriminatório. Ele dedicou à sua vida a essa bandeira na África do Sul e nunca deixou o seu sonho morrer, mesmo encarcerado durante 27 anos. Morreu o Homem, mas ficou o exemplo e a lição de vida para toda a humanidade. Libertado em 1990, foi eleito Presidente da África do Sul em 1994 acabando definitivamente a política segregacionista imposta pela supremacia branca, conhecida pelo nome de aparteid. Ganhou o prêmio nobel da paz e deixou para todos nós esta lição indelével:
"Toda minha vida foi dedicada à luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca e contra a dominação negra. Escolhi o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas possam viver em harmonia, com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver e atingir um dia. Mas , se for necessário, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer"
 
Marcos Bandeira

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

NÃO À REDUÇÂO DA MAIORIDADE PENAL

NÃO À REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL.

Tarcísio Martins Costa*

Sempre que surgem crimes de maior gravidade praticados por crianças ou adolescentes, a sociedade clama pela redução da idade penal, voltando o tema a adquirir a relevância de auge criminal. Para o menor criminoso exige-se cadeia, mesmo quando se sabe que a cadeia não recupera ninguém. Dois são os argumentos reprisados nesse sentido, esgrimidos até mesmo por respeitados juristas. O primeiro refere-se ao fato de o adolescente de 16 anos já estar plenamente conscientizado. Se a Constituição lhe assegura o direito de votar, é porque reconhece sua maturidade. Assim, ressoaria no mínimo incongruente admitir não ter ele suficiente consciência social e moral para ser penalmente responsabilizado.
Trata-se apenas de uma meia-verdade. Se ao menor de 16 faculta-se o direito de voto, por outro lado lhe é negado o direito de ser votado. Só aos 18 anos poderá se candidatar a vereador e aos 21 a deputado e prefeito. Candidato a senador, vice-presidente e presidente da República só aos 35. Demonstra-se, assim, que o legislador não lhe reconhece suficiente maturidade ou capacidade subjetiva para participar plenamente da vida política do país. E mais. Somente depois de completar 18 anos poderá obter sua carteira de motorista. Entre os 16 e os 18 anos, precisa da autorização dos pais ou responsáveis para contrair matrimônio. Os negócios jurídicos por eles celebrados são anuláveis. Na esfera do direito civil, a gama de restrições, em razão da idade, é, portanto, muito maior do que a dos direitos conferidos. Ora, chega a ser contraditório que possa ser equiparado ao maior e ir para a cadeia, nas mesmas condições do adulto.
Outro argumento recorrente insiste no rematado equívoco de que o aumento da criminalidade resulta da completa impunidade dos menores de 18 anos. Ao contrário do que se apregoa, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não compactua com a impunidade. Oferece um rol de medidas aplicáveis ao adolescente infrator, que pouco difere das penas aplicadas aos adultos. Praticado o ato tipificado como crime, ele é apreendido (preso). Responde a um processo, no qual um JUIZ de Direito, ao final, proferirá uma sentença sujeita a apelação, podendo ser decretada a sua internação, até o máximo de três anos, em regime fechado.
O forte clamor social pela redução da idade penal se explica pela difusão da crença errônea, arraigada no imaginário da maior parcela do nosso povo, de que nada ocorre com o menor e que o direito penal fornece a fórmula mágica para prevenção e solução dos desvios sociais. Impõe-se, contudo, corrigir algumas distorções da Lei 8.069/90, visando desencorajar os jovens que se julgam acima da lei e do respeito à vida alheia. A começar pela criteriosa revisão do Capítulo IV, Seção VII, Da internação, facultando-se ao JUIZ, em casos excepcionais, prorrogar o prazo de internação, além dos três anos. De rigor seja também disciplinada a medida de segurança para infratores instintivos ou psicopatas. Lembre-se que o Codigo de La Ninez y Adolescencia, uruguaio, de 1997, inspirado nos mesmos princípios que nortearam o ECA, foi bem mais rigoroso ao fixar o limite das medidas privativas de liberdade em cinco anos.
Se acolhida a falaciosa PEC 171/93 (ou apensadas), a situação carcerária no país, já caótica, entrará em colapso. E o pior. O convívio diário com criminosos adultos, ao contrário de reduzir, aumentaria a periculosidade de milhares de jovens e, por via reflexa, a própria criminalidade.
A medida tem ainda uma faceta discriminadora por recair sobre a parcela mais carente da população juvenil, da qual sairão para as cadeias infectas os adolescentes infratores. Culminaria por condená-los duplamente. Primeiro, por ser, na sua maioria, objeto de um processo de marginalização social, para o qual não deram qualquer contribuição; segundo, por serem agentes de atos para os quais foram conduzidos por esse mesmo processo de exclusão social.
Ao contrário do que a mídia divulga, o limite de 18 anos se converteu praticamente em regra internacional, recomendada por importantes documentos supranacionais. A pesquisa Crime trends, da Organização das Nações Unidas (ONU), analisando a legislação de 57 países, constatou que apenas 17% adotam idade menor de 18 anos para definir a responsabilidade penal dos adultos. O Japão a estabelece em 20 anos, idade a partir da qual amadurece o córtex pré-frontal, área do cérebro responsável para tomar decisões complexas e controlar a impulsividade. Até uma criança de 9, 10 ou 11 anos de idade sabe que matar ou roubar é crime. O problema, contudo, é outro: a notória incapacidade de o adolescente introjetar ou agir de acordo com esse conhecimento. Segundo renomados psicólogos, a influência das mudanças corporais, determinada pela explosão hormonal, provoca um verdadeiro desequilíbrio interior que o conduz a cometer os maiores desatinos (síndrome da adolescência).
Em suma, optar pela pena criminal no lugar da socioeducação representa um inadmissível retrocesso. Além de violar uma cláusula pétrea da Constituição, significaria a confissão de um rotundo e vergonhoso fracasso: a nossa incapacidade de respeitar os direitos básicos de um imenso contingente de jovens e equacionar, com realismo e competência, a problemática daqueles que prematuramente se põem em conflito com a lei. Em outras palavras, a definitiva renúncia na crença do poder transformador da educação.
*Desembargador do TJMG, ex-juiz titular da Vara da Infância e da Juventude de Belo Horizonte, ex-presidente da Associação Brasileira dos Juízes da Infância e da Juventude, fundador da Associação Mercosul dos Juízes da Infância e da Juventude, autor de Estatuto da Criança e do Adolescente comentado.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

QUANTO VALE A VIDA DE UM JUIZ?

 
QUANTO VALE A VIDA DE UM JUIZ?
 
 
 
A Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (AMAERJ)  promove, em 8 de novembro , a cerimônia de entrega do Prêio Patrícia Accioli de Direitos Humanos, em sua segunda edição, que homenageia essa grande juíza fluminense, assassinada há dois anos. Pagou com a vida a coragem  ética no exercício de seu trabalho em defesa da sociedade, da justiça , do Direito e da Democracia.
Quanto vale a vida de um magistrado? Esta é uma pergunta que deveria ser sempre respondida antes de se veicularem informações incorretas sobre os vencimentos dos juízes, cujos salários respeitam o teto constiucional, e de se especular com relação a proventos como verbas indenizatorias e auxílio-alimentação. É preciso considerar que a Magistratura é uma carreira que impõe limitações à conduta cotidiana dos profissionais, inclusive pertinentes à segurança . Trata-se de uma profissão que deve ter remuneração compatível com os riscos a ela inerentes e com suas responsabiidades como guardiã dos direitos e deveres,  e garantidora das prerrogativas democráticas.
Os magistrados são submetidos a formação especial e deles se espera, além de profundo conhecimento jurídico e das leis, um especial comprometimento com a realização dos objetivos fundamentais da República. Afinal, são membros do Poder Judiciário, uma das instituições basilares do Estado, selecionados e nomeados por meio de rigoroso concurso público, acessível a qualquer brasileiro que se disponha a cumprir as várias etapas de preparação, que duram vários anos, incluindo a difícil formação acadêmica em Direito.
Os juízes não podem desempenhar outra atividade econômica paralela, exceto um cargo de professor. Isso exige que o seu sistema remuneratório seja um instrumento capaz de assegurar nível de vida compatível com as responsabilidades atribuídas pela sociedade nos milhões de processos que diariamente precisam ser decididos para que todos os brasileiros possam ter uma vida mais justa, reduzindo-se as desigualdades sociais.
Uma remuneração adequada certamente permite que os cidadãos disponham de um Judiciário melhor, porque os profissionais mais competentes não serão estimulados a migrar para outras áreas do Direito, nas quais os salários e vantagens financeiras sejam mais atraentes. Os estudantes de Direito, sabendo que a Magistratura é bem remunerada, terão mais um estímulo para se dedicar ao estudo aprofundado das leis e os conteúdos acadêmicos dessa ciência. Os magistrados que já acumulam experiência no serviço jurisdicional trabalharão com a certeza de que suas famílias terão uma vida compatível com a responsabilidade e o risco das atividades que exercem.
Seria mais justo com a categoria e com a sociedade que se perguntasse, antes de se especular quanto aos vencimentos dos magistrados, quanto vale a sua vida, este bem irreparável. Há cerca de 500 juízes ameaçados no Brasil atualmente. Alguns, assim como suas famílias, pagam alto preço pelo exercício digno da profissão, como nos lembra dolorosamente a memória  de Patrícia Accioli.
 
Autor:  Desembargador Claudio dell´orto, Presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro ( AMAERJ).