quarta-feira, 2 de julho de 2014

NADA ACONTECE POR ACASO

Nada acontece por acaso




                                                                Sônia Carvalho de Almeida Maron*

            Lamentável, sob todos os aspectos, a manifestação das arquibancadas do Itaquerão dirigida à presidente do Brasil na cerimônia de abertura da Copa do Mundo. Embora as vaias e aplausos sejam normalidade nos estádios de futebol, surpreendeu a forma como foi traduzida, ou seja, um coro de palavras chulas, que a imprensa tradicional omitiu registrando apenas o fato, enquanto os vídeos das redes sociais divulgaram em áudio e a cores... Agrade ou não, erre ou acerte, Dilma Rousseff comanda um dos poderes constituídos, figura entre os estadistas que decidem o destino da América Latina e do mundo como um todo. Como se não bastasse, é a guardiã da liturgia do cargo e de todos os valores morais e éticos que servem de bússola ao governante de um país civilizado. Esta primeira análise é inquestionável. Ocorre, no entanto, que nada acontece por acaso, do mesmo modo que não existe crime sem motivo.
          Exercitando a memória, voltemos ao passado recente dos primeiros dias de governo do líder do partido da presidente Dilma, seu mentor e padrinho. O ex-sindicalista, já investido no honroso cargo de presidente da República Federativa do Brasil, compareceu a uma cerimônia pública em São Bernardo do Campo e colocou na cabeça o boné padronizado do MST, recebido das mãos de um dos ativistas. Ninguém ignora que o movimento reivindica seus direitos praticando atos de vandalismo contra a propriedade pública e privada, como são exemplos a invasão do Congresso Nacional e empresas como a VALE, sem falar em invasões de incontáveis instituições públicas e propriedades rurais “agraciadas” por visitas dos “sem terra” e crimes contra a pessoa. Esse foi o pontapé inicial para sacramentar simbolicamente, o apoio aos atos ilegais praticados pelos integrantes do movimento que se mantém com verba de órgãos federais, vale dizer, do nosso bolso. Em contrapartida, não existe notícia da prometida reforma agrária.
           A sucessão de atos incompatíveis com o exercício digno e democrático do poder culminaram com o escancarado desrespeito aos poderes legislativo e judiciário, desmoralizando o primeiro e fragilizando o segundo, última trincheira que o cidadão dispõe no estado democrático para defesa e preservação dos seus direitos. O espaço restrito que um jornal dispõe para seus colaboradores não permite elencar todos os desmandos, provas irrefutáveis de corrupção, destruição de valores éticos e morais, uma constante na administração pública brasileira atual. O mais engraçado é que o ex-presidente não sabia de nada e mal conhecia o chefe da Casa Civil e outros colaboradores, conforme suas declarações na imprensa de países vizinhos, logo após o julgamento, pelo STF, da ação penal que ficou conhecida como “mensalão”. Coincidentemente a presidente atual também não tinha conhecimento dos detalhes referentes à compra da refinaria de Pasadena, apesar de integrar a comissão. E lá se foi a Petrobras, a joia da coroa... A solução encontrada foi a propaganda televisiva maciça do lado “cor de rosa” da empresa estatal, na tentativa frustrada de apagar mais um escândalo. Até mesmo o povão das “bolsas” e “minha casa minha vida” está enxergando a manipulação de suas consciências e não aceita a sugestão do ex-presidente no sentido de que o transporte no lombo de um jegue pode muito bem substituir o metrô, para alcançar as “arenas” nos jogos da Copa do Mundo. O povão sabe muito bem que a pessoa que lhe oferece o meio de mobilidade urbana usada pelo menino Jesus, usa jatinhos e carros blindados.
            Em verdade, a vaia não partiu da elite. Naquele momento, aqueles que conseguiram adquirir o ingresso de preço proibitivo ao povo do salário mínimo, representavam o cidadão brasileiro que perdeu a paciência, não acredita mais que foi o PT quem descobriu o Brasil e esgotou a última gota de tolerância com o discurso maniqueísta e bolorento “nós somos o bem, eles são o mal”. Além do mais, o patrão da presidente vaiada (estrategicamente desaparecido e jogando a pupila às feras) cometeu um erro gravíssimo: tentou preparar uma “batida” misturando futebol e política em ano de eleição. Futebol é paixão nacional e contagia o mundo inteiro. É alegria, emoção, mistura de confraternização e disputa no tapete verde dos estádios, à vista de todos. Nossos craques são cidadãos do mundo, suam a camisa para fazer jus aos salários milionários. Nesse clima de glória, chuteiras douradas e euforia, os políticos são intrusos e indesejáveis quando a rejeição já restou provada em pesquisas de opinião. Ao herói do momento, que tem o nome de Júlio Cesar, toda honra e toda glória, até o fim da Copa, AMÉM!  
            A Copa do Mundo vai seguindo “com o coração batendo a mil” e o cerimonial da FIFA exige a presença dos reis e presidentes no encerramento, cumprindo o ritual de entrega da taça ao vencedor. A presidente Dilma “acredita” que invocando os ORIXÁS da Bahia, aos quais pediu a bênção na convenção do seu partido (segundo divulgação do seu pronunciamento pelo jornal A TARDE), conseguirá a proteção desejada. Acontece que sou baiana. Posso afirmar que nosso sincretismo religioso, apesar de tolerante e magnânimo, não aceita adesões de última hora, até porque nossos ORIXÁS estão muito ocupados com os pedidos dos seus filhos da Bahia.

            
* A autora é magistrada aposentada do Tribunal de Justiça da Bahia, ex-professora de Direito da UESC e Presidente da Academia de Letras de Itabuna.

NADA ACONTECE POR ACASO

Nada acontece por acaso




                                                                Sônia Carvalho de Almeida Maron*

            Lamentável, sob todos os aspectos, a manifestação das arquibancadas do Itaquerão dirigida à presidente do Brasil na cerimônia de abertura da Copa do Mundo. Embora as vaias e aplausos sejam normalidade nos estádios de futebol, surpreendeu a forma como foi traduzida, ou seja, um coro de palavras chulas, que a imprensa tradicional omitiu registrando apenas o fato, enquanto os vídeos das redes sociais divulgaram em áudio e a cores... Agrade ou não, erre ou acerte, Dilma Rousseff comanda um dos poderes constituídos, figura entre os estadistas que decidem o destino da América Latina e do mundo como um todo. Como se não bastasse, é a guardiã da liturgia do cargo e de todos os valores morais e éticos que servem de bússola ao governante de um país civilizado. Esta primeira análise é inquestionável. Ocorre, no entanto, que nada acontece por acaso, do mesmo modo que não existe crime sem motivo.
          Exercitando a memória, voltemos ao passado recente dos primeiros dias de governo do líder do partido da presidente Dilma, seu mentor e padrinho. O ex-sindicalista, já investido no honroso cargo de presidente da República Federativa do Brasil, compareceu a uma cerimônia pública em São Bernardo do Campo e colocou na cabeça o boné padronizado do MST, recebido das mãos de um dos ativistas. Ninguém ignora que o movimento reivindica seus direitos praticando atos de vandalismo contra a propriedade pública e privada, como são exemplos a invasão do Congresso Nacional e empresas como a VALE, sem falar em invasões de incontáveis instituições públicas e propriedades rurais “agraciadas” por visitas dos “sem terra” e crimes contra a pessoa. Esse foi o pontapé inicial para sacramentar simbolicamente, o apoio aos atos ilegais praticados pelos integrantes do movimento que se mantém com verba de órgãos federais, vale dizer, do nosso bolso. Em contrapartida, não existe notícia da prometida reforma agrária.
           A sucessão de atos incompatíveis com o exercício digno e democrático do poder culminaram com o escancarado desrespeito aos poderes legislativo e judiciário, desmoralizando o primeiro e fragilizando o segundo, última trincheira que o cidadão dispõe no estado democrático para defesa e preservação dos seus direitos. O espaço restrito que um jornal dispõe para seus colaboradores não permite elencar todos os desmandos, provas irrefutáveis de corrupção, destruição de valores éticos e morais, uma constante na administração pública brasileira atual. O mais engraçado é que o ex-presidente não sabia de nada e mal conhecia o chefe da Casa Civil e outros colaboradores, conforme suas declarações na imprensa de países vizinhos, logo após o julgamento, pelo STF, da ação penal que ficou conhecida como “mensalão”. Coincidentemente a presidente atual também não tinha conhecimento dos detalhes referentes à compra da refinaria de Pasadena, apesar de integrar a comissão. E lá se foi a Petrobras, a joia da coroa... A solução encontrada foi a propaganda televisiva maciça do lado “cor de rosa” da empresa estatal, na tentativa frustrada de apagar mais um escândalo. Até mesmo o povão das “bolsas” e “minha casa minha vida” está enxergando a manipulação de suas consciências e não aceita a sugestão do ex-presidente no sentido de que o transporte no lombo de um jegue pode muito bem substituir o metrô, para alcançar as “arenas” nos jogos da Copa do Mundo. O povão sabe muito bem que a pessoa que lhe oferece o meio de mobilidade urbana usada pelo menino Jesus, usa jatinhos e carros blindados.
            Em verdade, a vaia não partiu da elite. Naquele momento, aqueles que conseguiram adquirir o ingresso de preço proibitivo ao povo do salário mínimo, representavam o cidadão brasileiro que perdeu a paciência, não acredita mais que foi o PT quem descobriu o Brasil e esgotou a última gota de tolerância com o discurso maniqueísta e bolorento “nós somos o bem, eles são o mal”. Além do mais, o patrão da presidente vaiada (estrategicamente desaparecido e jogando a pupila às feras) cometeu um erro gravíssimo: tentou preparar uma “batida” misturando futebol e política em ano de eleição. Futebol é paixão nacional e contagia o mundo inteiro. É alegria, emoção, mistura de confraternização e disputa no tapete verde dos estádios, à vista de todos. Nossos craques são cidadãos do mundo, suam a camisa para fazer jus aos salários milionários. Nesse clima de glória, chuteiras douradas e euforia, os políticos são intrusos e indesejáveis quando a rejeição já restou provada em pesquisas de opinião. Ao herói do momento, que tem o nome de Júlio Cesar, toda honra e toda glória, até o fim da Copa, AMÉM!  
            A Copa do Mundo vai seguindo “com o coração batendo a mil” e o cerimonial da FIFA exige a presença dos reis e presidentes no encerramento, cumprindo o ritual de entrega da taça ao vencedor. A presidente Dilma “acredita” que invocando os ORIXÁS da Bahia, aos quais pediu a bênção na convenção do seu partido (segundo divulgação do seu pronunciamento pelo jornal A TARDE), conseguirá a proteção desejada. Acontece que sou baiana. Posso afirmar que nosso sincretismo religioso, apesar de tolerante e magnânimo, não aceita adesões de última hora, até porque nossos ORIXÁS estão muito ocupados com os pedidos dos seus filhos da Bahia.

* A autora é magistrada do Tribunal de Justiça da Bahia, ex-professora da UESC e presidente da Academia de Letras de Itabuna.


            

terça-feira, 17 de junho de 2014

DIREITOS HEREDITÁRIOS PODEM ADJUDICADOS PARA PAGAR PENSÃO ALIMENTÍCIA

Publicado em 17 de Junho de 2014 às 08h12STJ - 

Superior Tribunal permite adjudicação de direitos hereditários do devedor de alimentos.




É possível que os direitos hereditários do devedor de alimentos sejam adjudicados ao credor para a satisfação do crédito decorrente do não pagamento de pensão alimentícia. Assim decidiu a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, é indiscutível a expressão econômica da herança, considerada bem imóvel para todos os efeitos legais. Portanto, salvo se houver restrição em contrário, a respectiva fração dessa universalidade de direitos pode ser cedida pelo herdeiro, total ou parcialmente, gratuita ou onerosamente, inclusive em favor de terceiros estranhos às relações familiares. “Sob essa ótica, como ao herdeiro é facultado dispor de seu quinhão hereditário por cessão, não parece razoável afastar a possibilidade de ele ser ‘forçado’ a transferir seus direitos hereditários aos próprios credores, especialmente na hipótese dos autos, que tratam de crédito de natureza alimentar devido há mais de dez anos”, explicou a ministra. A relatora apontou que a própria Terceira Turma já havia julgado casos semelhantes, nos quais a adjudicação visava à transferência do bem penhorado ao patrimônio de outro com o objetivo de satisfazer a dívida. Fração ideal A adjudicação nada mais é que a transferência forçada do bem penhorado para o pagamento de uma dívida, conforme explicou a ministra. Segundo ela, se o devedor responde com todos os seus bens, presentes e futuros, para o cumprimento de suas obrigações (salvo as restrições estabelecidas em lei); se, desde a abertura da sucessão, a herança incorpora-se ao patrimônio do herdeiro na condição de imóvel indivisível; e se a adjudicação de bem imóvel é uma técnica legítima de pagamento, produzindo o mesmo resultado esperado com a entrega de certa quantia, infere-se que a adjudicação dos direitos hereditários é um instrumento possível. No caso julgado, os créditos são de natureza alimentar, devidos há mais de dez anos. De acordo com a relatora, a adjudicação não pode ser de um ou alguns bens determinados do acervo, mas da fração ideal que cabe ao herdeiro devedor. Direito de preferência Tendo em vista a copropriedade que se forma sobre o total dos bens, Nancy Andrighi ressaltou que, assim como na cessão dos direitos hereditários, também na adjudicação deve ser respeitado o direito de preferência dos demais herdeiros, pois eles podem ter interesse em adquirir a cota hereditária penhorada, até para manter o condomínio apenas entre os sucessores do falecido. É o que ocorre, por semelhança, com a adjudicação de cotas de uma sociedade. “De fato, ao credor interessa receber os alimentos que lhe são devidos, seja por meio da adjudicação do quinhão penhorado, seja pelo recebimento do valor correspondente, acaso exercido o direito de preferência por algum coerdeiro”, afirmou a relatora. A ministra deixou claro que, se o valor do crédito alimentar for inferior à herança  atribuída ao devedor, caberá a ele o montante remanescente. O número deste processo não é divulgado em razão de segredo judicial.

 Fonte: Superior Tribunal de Justiça

quinta-feira, 12 de junho de 2014

COPA DO MUNDO: A Pátria de Chuteiras

COPA DO MUNDO: A PÁTRIA DE CHUTEIRAS



            Chegou o grande momento esperado há mais de sete anos após a FIFA anunciar a realização da copa do mundo no Brasil. O tempo passou rápido, muitas coisas aconteceram, alguns amigos ficaram no caminho e não terão o privilégio de curtir uma copa do mundo em casa. Este é sem dúvida alguma, um momento mágico, apaixonante, quando o planeta literalmente para e direciona suas lentes para as 12 cidades sedes no Brasil, onde serão disputados os jogos da Copa do Mundo de 2014.
            Não passaram despercebidos os equívocos cometidos na condução das obras necessárias à realização da copa do mundo no Brasil, como a construção de estádios desnecessários, a exemplo do Itaquerão (sonho pessoal do corintiano Lula da Silva), da Arena Pantanal, do Estádio Nacional de Brasília e outros, bem como da corrupção reinante no Brasil e da insatisfação do povo brasileiro em relação ao governo brasileiro no que se refere à implementação de políticas públicas em educação, saúde e segurança pública, deflagrando vários protestos dos movimentos populares por todo o país. O atraso na conclusão das obras dos estádios e o superfaturamento em algumas delas também marcaram negativamente os preparativos para a realização deste grande evento.
            Todavia, o fato está consumado: a Copa acontecerá e agora seremos mais de duzentos milhões de brasileiros em uníssono vibrando pelo nosso escrete canarinho. O nosso amor pela seleção brasileira é grandioso e eterno. Até mesmo senhoras de idade, que jamais se importaram com futebol, transformam-se nesse período em torcedoras apaixonadas pela seleção brasileira. Vale ressaltar que algumas delas já sabem o nome da maioria dos jogadores e enfeitam a fachada de suas casas com bandeirinhas do Brasil. Há uma explicação lógica para tudo isso: o orgulho de ser brasileiro.
             Até 1958, quando a seleção brasileira, comandada por Didi, Pelé e Garrincha ganhou a 1ª copa do mundo na Suécia, o brasileiro, segundo o saudoso cronista Nelson Rodrigues, possuía o complexo de “vira-latas”, pois acreditávamos sempre na superioridade das escolas europeias e até então éramos a 3ª força sul-americana, atrás do Uruguai e Argentina. O “Maracanazo” de 1950, quando perdemos a copa do mundo para o Uruguai, por 2 x 1, com o gol de Ghiggia, pululava em nossa mente como resquício do fracasso e  símbolo de nossa inferioridade.
              Hoje, o contexto é completamente diferente e temos motivos de sobra para alimentarmos o nosso amor pela seleção brasileira: ela traduz o retrato de nossa sociedade brasileira, marcada principalmente pela mistura de etnias; ela é a única seleção do mundo que participou de todas as copas e a única pentacampeã mundial; Pelé, o maior jogador de todos os tempos, é o único que venceu três mundiais e temos ainda o maior artilheiro das copas, Ronaldo, com 15 gols. Os “gringos” sempre se renderam à nossa ginga, à nossa miscigenação, à nossa molecagem com a bola no pé. Além de tudo isso, temos uma equipe competitiva com condições reais de ganhar mais uma copa.
              Portanto, recebamos com hospitalidade os nossos visitantes e deixemos os problemas internos do nosso país para serem resolvidos no momento oportuno. Unamos nossos corações numa só direção formando uma grande corrente de vibrações positivas por mais um título de nossa querida seleção brasileira.
              Avante Brasil, rumo ao Hexa!



MARCOS BANDEIRA 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

VARA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE DE ITABUNA REALIZA MUTIRÃO COM ADOLESCENTES EM CONFLITO COM A LEI

VARA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE DE ITABUNA REALIZA MUTIRÃO COM ADOLESCENTES EM CONFLITO COM A LEI.



            O Juiz Marcos Bandeira, titular da Vara da Infância e juventude de Itabuna, realizou no último dia 16/05, no horário compreendido entre às 9hs da manhã às 18hs, 45 audiências de apresentação envolvendo adolescentes apontados como autores de atos infracionais. As audiências contaram ainda com a presença do Promotor de Justiça, Thomás Brito, da advogada Thaís Carvalho, de vários advogados, serventuários, pais e responsáveis dos adolescentes, além dos próprios adolescentes.
            A maioria dos processos foi resolvida no âmbito da Justiça consensualizada, pela qual, ainda na primeira audiência,  quando  o adolescente admite a autoria do ato infracional, o Promotor de Justiça propõe a remissão cumulada com alguma medida socioeducativa em meio aberto – Liberdade Assistida ou Prestação de Serviços à Comunidade - . Neste caso, havendo concordância do adolescente e seu advogado, o Juiz suspende o processo e determina a imediata expedição de guia de execução para que o adolescente comece a cumprir a medida socioeducativa em meio aberto. Em alguns casos, o adolescente não concorda com a proposta de remissão clausulada feita pelo Ministério Público, preferindo o prosseguimento do feito para provar a sua inocência. Em outros casos, o Promotor  não oferece a proposta por entender que não é o caso, seja porque a infração é muito grave, seja porque o adolescente não possui perfil adequado para cumprir a medida em meio aberto.

            Ao final das audiências, foram aplicadas 08 medidas de Prestação de Serviços á Comunidade e 13 Medidas Sócioeducativas de Liberdade Assistida. Nove adolescentes  não compareceram ou não foram localizados, ensejando a expedição de 09 mandados de busca e apreensão. Os demais processos tiveram o seu curso normal com a realização do interrogatório dos adolescentes e designação de audiência de instrução e julgamento. O juiz Marcos Bandeira, titular da Vara da Infância e Juventude, após o término dos trabalhos, afirmou o seguinte: “ A justiça consensualizada permite a realização do maior número de audiências e, consequentemente, um maior número de resolução de casos, sem necessidade de instruir o processo. Evidentemente, que nem todos os atos infracionais comporta a transação socioeducativa. Todavia, nos atos infracionais de pequeno  e médio potencial ofensivo aplicamos este modelo de justiça, que é bastante célere e eficaz”,  finalizou.

FONTE:  Gabinete da Vara da Infância e Juventude de Itabuna

sábado, 17 de maio de 2014

POR UMA CIDADE MAIS HUMANIZADA

POR UMA CIDADE MAIS HUMANIZADA





            A condição de cidadãos exige que sejamos autônomos, críticos e participativos em nossa comunidade. O município é o lugar onde moramos e construímos a nossa história no cotidiano do trabalho ou nas horas de lazer e entretenimento. Certamente, será o lugar onde morreremos também.
           O ser humano, como sujeito biológico e cultural, deve inscrever na sua identidade terrena, uma consciência ecológica de que nos fala Edgar Morin, de “habitar, com todos os seres mortais, a mesma esfera viva... a consciência cívica terrena... da responsabilidade e da solidariedade para com os filhos da terra” .
            A minha consciência ecológica me instiga a fazer alguns questionamentos. Qual o modelo ideal de cidade que desejo para minha família e também para as futuras gerações? Se não posso viver na cidade ideal, qual a cidade possível que seja capaz de me proporcionar bem estar e qualidade de vida? É verdade que essa cidade deve oferecer alguns itens, como segurança, educação, saúde, comércio, lazer, dentre outros, fundamentais para a boa convivência humana. Todavia, devido às limitações deste artigo, deter-me-ei a apenas dois itens para testar o “bom viver” da cidade onde moro: segurança e lazer.
            Itabuna, cidade com mais de 220 mil habitantes e pólo comercial da região sul da Bahia, possui uma das taxas de criminalidade mais alta do Estado da Bahia, tendo ocupado o topo do ranking nacional como a cidade mais violenta para adolescentes entre 12 a 18 anos, nos anos de 2009 e 2010, conforme dados oficiais da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Os delitos ocorrem invariavelmente no centro da cidade em plena luz do dia. Estamos inseguros, e essa sensação de insegurança é potencializada pelo sensacionalismo midiático que se encarrega de espalhar o clima de terror e pânico na cidade. Qual o discurso para mudar esse quadro sombrio? Nas reuniões de segurança pública, o discurso sempre é o mesmo: mais armamento, mais viaturas, mais prisões. O presídio de Itabuna está atualmente com mais de 1.200 presos, quando a unidade comporta apenas 440. É uma bomba relógio que vai explodir a qualquer momento.
           Na verdade, não tenho a receita pronta, mas posso afirmar que é preciso um novo paradigma de segurança pública no país, e para isso, é necessário vontade política para romper as resistências naturais que lutam para manter as atuais estruturas. Enquanto o novo paradigma não vem, o jeito é apostar na prevenção, implementando projetos sociais para crianças, adolescente e jovens, abrindo escolas nos bairros nos finais de semana, criando espaços para a prática do esporte e lazer, valorizando nossas praças públicas. Uma praça pública bem iluminada, com espaço para o lazer, com banheiros públicos higienizados, constitui uma janela aberta para a segurança, pois certamente atrairá aglomeração de famílias e assim afastará os meliantes. Entretanto, uma praça pública mal iluminada, sem atrativo, abandonada, passa a se transformar num foco de marginais e usuários de drogas. É o que acontece com a Praça da Catedral de Itabuna, que já há algum tempo não vem merecendo a devida atenção do poder público e hoje, é ponto de encontro de usuários de drogas, sendo cenário de vários delitos, como furtos e roubos. O mesmo acontece com a Praça do Bairro Santo Antônio, ponto de encontro de usuários de drogas. Foi assim, valorizando os logradouros e praças públicas, que o prefeito de Nova York em 1994 aplicou a teoria das janelas quebradas, reduzindo drasticamente os índices de criminalidade naquela cidade.
            Outro ponto que merece destaque é o espaço de lazer, que compreende a prática de esportes, de atividades lúdicas e culturais. O sociólogo Domenico de Massi em seu livro “Ócio Criativo” afirma que dispomos de mais de 300 mil horas livres para exercitar a nossa criatividade, seja no esporte, na ginástica, na cultura,  na meditação, na interação com as pessoas, no amor ou  no convívio com a família. Após o período da revolução industrial, onde o trabalho cansativo e de montagem ocupava o papel principal, hoje valorizamos também o tempo livre, pois o ócio criativo é o que, de fato, acaba dando sentido às nossas vidas.
            O grande problema é que olhando para a minha cidade, vejo o rio Cachoeira agonizando, morrendo aos poucos, sem que haja uma intervenção eficiente por parte do Poder Público, muito embora existam projetos, como o “Centro das águas” capitaneado pela professora Maria Luzia, que oferece estratégias para salvar o inditoso rio, cantado em verso e prosa por Ciro de Mattos e Lurdes Bertol.
           O itabunense normalmente gosta de andar, correr e pedalar na avenida Beira Rio, entretanto, o piso é acidentado e estreito, a iluminação é sofrível e o mau cheiro que exala do rio é insuportável. É incrível que em uma cidade como Itabuna não exista um projeto para melhorar a qualidade de vida das pessoas. O que se observa são iniciativas particulares, que acabam dando um novo colorido à cidade, seja com o futvólei e outras atividades físicas praticadas na Praça Aziz Maron . Nos finais de semana alguns esportistas são obrigados a interditar algumas vias da Avenida Beira Rio para praticar atividades físicas nos finais de semana e feriados sem o risco de serem atropelados por algum veículo. Indaga-se: por que o Poder Público não transforma a Praça da Aziz Maron numa praça esportiva, com a construção de uma arena moderna com vestiário e instrumentos de ginástica para a prática de esportes diversos? Por que não realizar um projeto em torno da avenida Beira Rio, alargando o passeio, melhorando a iluminação pública, construindo quiosques no seu entorno, oferecendo melhor espaço às pessoas que praticam atividades físicas e àquelas que transitam pelo local? Por que não criar na cidade, pelo menos nos finais de semana e feriados, ciclovias móveis com cones, a exemplo do que já ocorre em grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, para as pessoas pedalarem?Por que não revitalizar as praças públicas? Por que não utilizar o conhecimento científico das universidades e do projeto “Centro das Águas”  para salvar o Rio Cachoeira? Precisamos não só de respostas ou justificativas, mas de ações que transformem nossa cidade num lugar bom para se viver.
             Enfim, como cidadão itabunense, sou obrigado a exercer meu senso crítico no sentido de que a reflexão possa contribuir para que a cidade onde moro  possa oferecer a todos uma melhor qualidade de vida, pelo menos, no que tange à segurança, lazer e entretenimento, transformando-se numa cidade mais humanizada.


Marcos Bandeira é Juiz da Vara da Infância e Juventude de Itabuna, Professor de Direito da UESC , ex-presidente da Academia de Letras de Itabuna e mestrando em Segurança Pública, Justiça e Cidadania pela UFBA.